GASTAMOS O DINHEIRO EM “BEBIDA E MULHERES”?

É dificil acreditar que um ministro das finanças de um país da UE seja capaz de se expressar desta forma em relação ao grupo de países do sul da Europa.

Grupo de países que tem vindo a suportar a crise que se abateu sobre a Europa desde 2008.

Crise que, por força das políticas promovidas pela Alemanha, cercearam o desenvolvimento dos países do sul, beneficiando os do norte.

O que tem sido patente nos desequilíbrios do crescimento económico, com excedentes sistemáticos na Alemanha e défices nos países do sul. E inclusivamente em relação aos EUA como se viu na deslocação recente da Sra Merkel.

Daí a sistemática intervenção do BCE (até quando?) e a repetição até à náusea da necessidade  de”reformas estruturais” que mais não visam senão o empobrecimento dos que já pobres são.

É verdade que o Sr Schauble nunca foi tão longe, mas para quem tem estado atento às reuniões do Eurogrupo e ao que os diversos intervenientes vão dizendo (e disseram mesmo em relação à Grécia), as palavras do Sr Dijsselbloem não surpreendem tanto.

A arrogância do Sr Dij, em relação a colegas ministros e a países que é suposto caminharem rumo aos mesmos objectivos, é chocante.

Mas se ele significar mais do que uma manifestação mal humorada de alguém que detém poder e quer exercitá-lo, e for tão só a emergência do que pensa o grupo dos bem instalados na Europa sobre os juros esportulados  às centenas de milhar de desempregados e aos milhões que sobrevivem nos países do sul em condições miseráveis, aí haverá que pensar sériamente em mandar parar o baile e repensar o caminho.

Para isso é bom sabermos desde já com quem contamos.

22 de março de 2017

L. Bettencourt Picanço

 

 

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MORREU UM SINDICALISTA!

Neste auspicioso e trágico mês de dezembro a morte veio de supetão e levou o Joaquim Fernandes Marques de quem ainda muito esperávamos.

Alguns se perguntarão sobre o porquê deste escrito a propósito do desaparecimento de alguém de quem pouco se ouviu nos últimos tempos.

É por isso que não posso deixar passar o momento sem dizer que o Fernandes Marques, que foi deputado, membro de um governo e presidente de uma junta de freguesia, no seu percurso de democrata empenhado, foi antes de tudo, um sindicalista.

Foi ele que, com um numeroso grupo de quadros, fundou em 1977 o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.

E foi ele que, como primeiro presidente deste, fez ouvir a sua voz a propósito dos desmandos que na altura, fraturavam a Sociedade e a Administração Pública e apoucavam os seus quadros.

É por isso que muito lhe deve o sindicalismo democrático que tem ajudado a crescer a democracia em Portugal.

Mas, nunca negando o seu apoio ao sindicato de que foi o primeiro presidente, aceitou nos últimos anos servi-lo como presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Lembro ainda os seus últimos anos como presidente da direção de uma junta de freguesia, dinamizando o melhor instrumento que a democracia tem para dar voz aos cidadãos que teimam em afastar-se de uma política que muitas vezes não entendem.

É por tudo isso que me curvo perante alguém que conheci e que deixa uma marca e uma herança visíveis: de trabalho, coragem e desprendimento, sempre ao serviço de uma democracia participada que almejava.

Para a família, as minhas condolências.

Lisboa, 28 de dezembro de 2016

L.Bettencourt Picanço

A DEMOCRACIA E OS SEUS VIESES

Todos sabemos que a nossa democracia assenta nos partidos políticos.

Partidos de inscrição livre, cujos associados pagam uma pequena quota mensal, e que vivem, essencialmente, dos apoios recebidos do Estado em função do número de deputados eleitos e das actividades que desenvolvem.

Isto é, a vida política é decidida pelos partidos políticos, cujos militantes vão de poucos milhares a algumas dezenas de milhar.

E isto, obviamente, em função das votações obtidas para a Assembleia da República.

Em resumo: o primeiro e principal pilar para o funcionamento da nossa democracia são os partidos políticos subvencionados pelo Estado.

Mas é também comummente aceite que a democracia não se esgota nos partidos políticos e no poder político assente no Governo e no Parlamento.

A democracia só o é se assentar também na participação da sociedade civil, devidamente organizada.

As sociedades não se resignam a um governo despótico, ainda que esclarecido, que se apresenta aos cidadãos eleitores de quatro em quatro anos.

E constituindo os trabalhadores o conjunto dos cidadãos mais activos na procura das medidas mais eficazes, rumo a uma sociedade mais justa e equitativa, agruparam-se em sindicatos de modo a poderem dialogar quer com as entidades empregadoras, quer com o poder político.

Os sindicatos são por isso organizações essenciais numa democracia:

-São constituídos por trabalhadores que livremente se associam tendo em vista objectivos comuns e que vão dessa forma ajudar à construção da democracia;

-Assentam a sua actividade nas quotas dos associados, sem subvenções do Estado.

Não existem por isso razões para o poder político, ou opinion makers de bolso, questionarem de vez em quando a actividade deste ou daquele sindicato, ou deste ou daquele dirigente sindical, querendo significar que não deveriam existir.

Que se discorde das suas posições ou afirmações, compreende-se e aceita-se.

Que se parta daí para uma contestação sistemática das opções ignorando que elas representam uma parte da sociedade, que até paga para as sustentar e ratifica-as periodicamente com o seu voto, é inaceitável.

É interessante assinalar que tais ataques a algumas organizações sindicais e aos seus dirigentes só surgem em alguns orgãos de comunicação social por colaboradores habituais quando aquelas e aqueles se destacam no combate pelas suas reivindicações, dando voz aos trabalhadores que representam ou, então, quando essas posições, que até dariam jeito no combate político, estão em falta.

Isto é, os ataques só surgem quando as organizações sindicais assumem, nos média, protagonismo que incomoda quem está sentado, ou quando não aparecem e daria jeito que aparecessem.

Mas…é assim a democracia!

Lisboa,21 de outubro de 2016

L. Bettencourt Picanço

 

OS “NOSSOS CAMINHOS”

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Os “nossos caminhos” são as opções que foram assumidas ao longo dos anos, que nos trouxeram até aqui e continuam a ser assumidas em relação ao futuro.
Futuro com mais desemprego e redução das remunerações e das pensões. E isto significa a redução do nível de vida dos portugueses, dos europeus e dos americanos.
Tendo como contrapartida o enriquecimento cada vez maior de um pequeno número e, pior ainda, o controlo do poder por quem manobra os grupos financeiros.
Foi a capacidade industrial de Portugal que se foi reduzindo e, aqui como noutros países europeus, continua a fugir para os países com mão-de-obra mais barata.
É o controlo da actividade industrial e financeira, a cargo de serviços da UE e do BCE, sempre no sentido dos interesses dos países mais poderosos.
O que tem acentuado e continuará a aprofundar os desequilíbrios entre ricos e pobres, ou seja, entre quem ganha e quem perde no relacionamento internacional.
Se tivermos presente que neste momento estão em curso negociações entre os EUA e a UE para o maior tratado de livre comércio e investimento, o facto de não termos acesso ao que está em discussão e somente ao que se diz que o mesmo esconde, deve preocupar-nos.
Porque o que está em marcha parece ser mais do mesmo que tem acontecido na Europa, sob o manto de uma liberalização e desregulamentação dos serviços financeiros, que ganhariam ainda maior participação … no processo legislativo!
Que tudo isto aconteça sem que os cidadãos europeus e os parlamentos nacionais sejam chamados a discutir os caminhos do futuro – os nossos caminhos – é algo de inaceitável.
A cada um de nós cabe a palavra … e a indignação.
Lisboa, 24 de maio de 2016
L. Bettencourt Picanço

UMA PÁSCOA COM ESPERANÇA?


É um tempo de terrorismo que parece alastrar por toda a Europa.

É um tempo dos refugiados que ainda vêem a Europa como um destino mirífico de paz e de bem-estar.

Mas é também um tempo de desemprego e de pobreza crescente nesta mesma Europa.

Uma Europa em que os cidadãos não visualizam soluções, saídas para uma crise que parece agravar-se.

As respostas ao terrorismo parece ficarem-se por mais polícias sem se ir ao fundo dos problemas que o fomentam.

E, para os refugiados que se amontoam às portas da Europa, também não emergem soluções: só panos quentes e o encerramento de portas.

Os líderes políticos dos países mais poderosos descansam nas situações confortáveis dos seus países, indiferentes à urgência de soluções globais e concertadas. Quer para a crise económica e social que alastra, quer para a crise dos refugiados que as guerras e a mundialização das economias, com que alguns têm enriquecido, tornaram imparável.

E aí temos a PÁSCOA, que tem de ser tempo de ESPERANÇA, mas ESPERANÇA que cada um tem de empurrar!

Boa Páscoa!

Lisboa, 25 de março de 2016

L. Bettencourt Picanço

 

A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA EM CRISE?

 

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É uma evidência que a precarização, o desemprego, a emigração e o empobrecimento têm afundado a classe média.
Só que, em simultâneo com este aumento do número de pobres, aumenta a riqueza de um pequeno número, controlador e todo poderoso.
De uma sociedade de iguais passamos, silenciosamente, para uma sociedade em que impera uma desigualdade que afronta a democracia.
E é aí que os sindicatos são atacados por não defenderem os desempregados e os precários.
Isto é, independentemente de uma visão social e económica inclusiva, na defesa dos trabalhadores que representam, pugnando também pelo socialmente justo para todos, os sindicatos são vergastados por algumas vozes por não fazerem … o que não têm capacidade para fazer.
Ou, de outra forma, os mandatários do grupo dominante atiram as culpas do “desastre” em que se empenharam … para os sindicatos!
E o poder político?
O poder político, assente cada vez mais em partidos que sufocam com as escolhas dos líderes, é abalado de vez em quando pelos movimentos de insatisfação inorgânica que esvaziam as supostas referências ideológicas.
Chegamos, no limite, ao absurdo de assistirmos ao reconhecimento social com imposição de comendas, em que são vistos todos os sectores da vida comunitária, com total exclusão de representantes dos trabalhadores: os líderes sindicais.
A par da estigmatização da classe política, cuja liderança nos trouxe até aqui e não prenuncia grandes alterações, temos a “vingança” daquela no pretendido apagamento da essencial representação sindical.
É por isso, também, que a democracia representativa está em crise.
Lisboa, 20 de março de 2016
L. Bettencourt Picanço

OS SINDICATOS DESISTIRAM?

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Não. Não me parece que os sindicatos tenham desistido.
Os sindicatos foram fundamentais para a construção do Estado Social por toda a Europa e, consequentemente, foram a pedra angular das democracias.
Muito em especial das democracias que mostram hoje mais vitalidade. Aquelas em que os governos não desprezam os sindicatos ou não governam permanentemente contra os sindicatos.
Chegando a dizer que um dos seus objectivos é a destruição dos sindicatos.
É verdade que as condições económicas e sociais que o neoliberalismo, ainda impante, tem construído tornam a vida difícil aos sindicatos.
É verdade que o desemprego, a precarização e o empobrecimento têm sido uma tragédia que, abatendo-se sobre as pessoas, atinge também os sindicatos.
Mas não podemos ignorar uma lassidão que tem vindo a atravessar a sociedade ocidental.
Uma lassidão que, parece, tem levado muitos a desistir da democracia.
E, quem desiste da democracia, desiste também dos sindicatos.
Os sindicatos têm sido o baluarte de uma visão crítica do actual sistema económico que promove desemprego e empobrecimento.
Lembro:
– o despedir para contratar com remuneração inferior ou, até, com apoios do Estado!
– o empurrar para a aposentação/reforma, com baixas pensões, para contratar em termos precários: é toda a sociedade que, depois, acaba a pagar os sobrelucros de uns tantos … que ainda são capazes de ir receber umas condecorações como empresários de sucesso.
É a desvergonha instalada … se todos nós deixarmos.
Gostei de ouvir há dias, por ocasião do Congresso da CGTP, que esta tinha uns largos milhares de novos associados.
Espero bem que o mesmo aconteça com todas as outras organizações sindicais, rumo a um sindicalismo combativo … mas com os pés assentes na terra e a coberto de uma ideia.
Não um sindicalismo reivindicativo só … porque sim!
Os sindicatos devem estar abertos a investir na informação devidamente fundamentada, para que não se diga que os seus dirigentes estão ainda a viver no século passado.
Não podem deixar-se ultrapassar pelos movimentos sociais inorgânicos mas devem antes dar-lhes a estruturação de que carecem, ganhando com eles a vida que por vezes parece adormecida.
Duas linhas de acção fundamentais HOJE têm a ver com:
– uma informação permanente assente em todos os meios que a internet disponibiliza: esta é, aliás, uma característica de todos os movimentos sociais que têm surgido por todo o mundo:
– uma major ligação com as organizações internacionais congéneres, nomeadamente europeias.
Não podemos esquecer que o que está a acontecer em Portugal está interligado com a evolução social e económica em todos os outros países e que a mundialização que os Portugueses iniciaram está em marcha há já muito tempo.
Concertar posições, perceber melhor as estratégias sindicais em movimento noutros países, é importante.
Porque podemos compreender bem o inverno que temos mas não podemos descurar os tsunamis que nos podem atingir amanhã.
Lisboa, 17 de março de 2016
L. Bettencourt Picanço

A DEMOCRACIA É … DIFÍCIL!

Vivemos em democracia, é verdade, mas gostaria que isso se sentisse mais, todos os dias, nas grandes decisões políticas, como na vida diária.

E não sinto.

Desde logo na construção de uma UE adiada, conduzida por um directório em seu claro benefício.

Mas não a sinto também no funcionamento de alguns dos partidos políticos que temos.

E que vivem dos subsídios que recebem para as suas funções de representação política.

Não podemos esquecer que a representação política assenta nas cúpulas dos partidos políticos, constituídos estes por poucas dezenas de milhares de militantes.

E, mesmo sem ter em conta a militância e consequente participação dos inscritos nos partidos, o que dizer das notícias sobre a inscrição de novos militantes nas vésperas de eleições, com largas dezenas “na mesma morada” e outros tantos “com o mesmo número de telefone”?

São estes militantes que vão dar nova vida à nossa democracia e encontrar os caminhos para uma vida melhor dos Portugueses?

Sinto que a nossa democracia tem vindo a afunilar a sua representação.

A representação daquela que também quer ter voz e que para isso se organiza em sindicatos.

É que esta representação é paga pelos representados e é bem mais participada nas suas decisões do que a que é assumida pelos partidos políticos.

E os representantes não têm benesses, mordomias ou tachos à sua espera.

É tempo de a sociedade olhar para todas as formas de representação dos seus cidadãos e aceitar, democraticamente, essa participação como forma de construir o futuro e não como pró-forma.

É essa participação que pode dar vida a uma democracia que parece viver em modorra permanente.

Não vale a pena queixarmo-nos da fraca participação em eleições ou outras quaisquer escolhas se antes nos “esquecemos” de criar as condições para que a democracia participada funcione.

Lisboa, 10 de março de 2016

L.Bettencourt Picanço

O NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Penso que os Portugueses estão de parabéns pelo Presidente da República que escolheram.

O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa é um homem culto e, muito em especial, é um homem empenhado

A sua carreira, política e profissional, é disso um claro exemplo.

Em todas as áreas em que se destacou fê-lo sempre com um grande sentido de utilidade para o bem comum.

Num momento em que se acastelam nuvens negras no horizonte, quer da UE, quer de Portugal, um Presidente da República conhecedor dos meandros da UE e empenhado nas soluções possíveis e ao nosso alcance pode fazer a diferença.

Espero que o faça.

Lisboa, 9 de março de 2016

L. Bettencourt Picanço

A EUROPA DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

Nos últimos dias tem-se acentuado o desnorte da UE, rumo a não se sabe bem o quê.

À situação difícil da Grécia juntam-se as pressões sobre Portugal e a Espanha.

Surge também o Reino Unido cavalgando derrogações à livre circulação e limitações à atribuição de benefícios sociais aos migrantes.

Se é verdade que em termos globais a zona euro cresce menos, com baixa inflação e desemprego elevado, internamente, nos diversos países, isso acontece com superavits nos países do norte, com destaque para a Alemanha, e défices nos países do sul.

Isto é, o “Norte exporta e fatura nos mercados garantidos do Sul, sem risco cambial”.

E, depois, vai financiar as economias do Sul, “atoladas em dívida”:

-Portugal : 4,5% do PIB

-Itália : 4,2% do PIB

-Espanha : 2,8% do PIB

-Grécia : 1,9% do PIB

E de onde vem a dívida? Essencialmente dos défices ocultos do sector financeiro. Em Portugal, entre 1990 e 2014, a banca custou 12,1% do PIB. Na Grécia 23,1% do PIB!

Mas, apesar de tudo isto, a receita da UE continua a ser as reformas estruturais e a consequente austeridade que garantem empobrecimento e esquecem o crescimento económico.

Isto porque, como é óbvio, o directório da UE está satisfeito com os mercados garantidos do Sul e com os juros da dívida.

Todavia, este é um caminho que não vai longe.

Há que ter em conta que há outras variáveis no horizonte da UE que condicionarão o futuro dos seus cidadãos.

O primeiro tem a ver com o envelhecimento da população e, consequentemente, com a sua diminuição.

Sendo certo também que o desemprego levará ao surgimento de milhões de excluídos para os quais as sociedades terão de encontrar suporte.

E isto de par com o empobrecimento dos países sujeitos a sucessíveis reformas estruturais e às respostas políticas que isso pode desencadear.

O segundo emerge do cerco a que a UE está já sujeita por parte dos refugiados, sejam eles empurrados por guerras civis ou pobreza.

A UE não se entende sobre quantos e como integrá-los, bem como sobre os apoios a dar às portas de entrada na Europa.

E prepara-se para pagar a quem os controle fora da Europa.

Tenho a impressão de que já vimos isto na história da Europa, ou algo parecido, com consequências devastadoras.

É interessante constatar que a febre da construção de muralhas, que também surgiu recentemente nos EUA, está agora a emergir na Europa como resposta imediata de defesa, sem que um pensamento maior de integração dos que dentro da UE são já remetidos para o empobrecimento, e dos que, vindos de fora, podiam e deviam ser garantia de desenvolvimento e construção de um futuro melhor para todos.

Cabe por isso a cada um de nós, como cidadãos europeus, levantar a voz para os que nos representam.

Enquanto é tempo!

Lisboa, 8 de março de 2016

Bettencourt Picanço