O ENGANO E A MISTIFICAÇÃO

A responsabilidade de um governo é a da gestão do país de acordo com os interesses dos cidadãos.

Nas democracias ocidentais isso tem a ver com o funcionamento da economia e a satisfação das necessidades colectivas: segurança, saúde e educação, essencialmente.

Ao conjunto dos serviços que prosseguem aqueles objectivos costumamos chamar Administração Pública.

E, assim, temos países em que aqueles serviços estão mais desenvolvidos: têm uma Administração Pública com mais trabalhadores e outros em que é menor o número de trabalhadores afectos às necessidades coletivas

Com 10,5% da população ativa na Administração Pública, Portugal situa-se ao nível médio dos países europeus , bem abaixo dos mais desenvolvidos, muito em especial no que toca o Estado Social.

São por isso preocupantes as notícias recentes de redução do número de trabalhadores, por um lado e, por outro, a transferência de serviços para as IPSS.

Em primeiro lugar porque a redução do número de trabalhadores é somente uma bandeira orçamental, ao abrigo da qual se despedem uns tantos e se reduz a remuneração de outros, colocando-os naquilo a que,  sem corar de vergonha, o Governo chama “requalificação”.

Em segundo lugar, porque a transferência de serviços para as IPSS segue também a mesma lógica orçamental: redução da despesa com redução do número de trabalhadores, inviabilizando muitos dos apoios sociais que já tinham sido implementados.

A questão básica é que não existe qualquer ideia de reforma subjacente às medidas.

Está em marcha um desmantelamento puro e simples de serviços a que preside uma ideia de poupança e de que o melhor mesmo para a sociedade é deixar o” mercado” funcionar.

Como consequência, o desemprego cresce, a pobreza aprofunda-se e surge a fome.

E a incipiente protecção social reduz-se, crescendo a desorganização e a incapacidade de resposta dos Serviços Públicos.

Faltam trabalhadores na Justiça, na Saúde, na Segurança Social… e a resposta que surge é o despedimento ou a requalificação!

E tudo isto quando em dois anos e meio- 2012, 2013 e 2014 (até junho) saíram 59607 trabalhdores. Bem mais do que 20000 por ano.

É por isso que é inaceitável o despedimento/requalificação de trabalhadores.

Como é inaceitável a postura mentirosa de chamar requalificação ao que acaba por ser despedimento encapotado.

E ainda mais inaceitável é termos um Governo que sistematicamente tenta enganar e mistificar.

Até quando?

Lisboa,15-12-2014

L Bettencourt Picanço

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