A “SANHA” DO GOVERNO CONTRA OS TRABALHADORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

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Porque é que eu apelido as medidas de política do Governo colocando trabalhadores da Administração Pública na requalificação (despedimento) como “sanha”?

Em primeiro lugar porque é uma medida que não resulta de qualquer pensamento estratégico visando a adequação dos recursos humanos às necessidades.

Em segundo lugar porque não há, que se vejam, medidas de reestruturação de serviços aproximando-os de quem deles precisa: é ver que, por exemplo na segurança social, para se ser atendido, em Lisboa, há que fazer marcação com um mês de antecedência!

Em terceiro lugar porque o que está à vista é o desinvestimento nos serviços de apoio a crianças, jovens, deficientes e idosos, com o Governo a procurar transferir essas responsabilidades para as instituições privadas de solidariedade social, com as quais publicita acordos para a transferência de responsabilidades e algumas verbas.

Ora, que se saiba, aquilo que esperamos do Governo é o adequado apoio a crianças, jovens, deficientes e idosos, conforme previsto na CRP e para o qual pagamos os nossos impostos e não o lavar de mãos com a passagem da responsabilidade a outros.

Na calha está também a passagem da educação e da gestão dos professores para as autarquias, ao que parece com uma filosofia semelhante: os problemas passam a estar distribuídos por algumas centenas de autarquias e … se as verbas transferidas não chegarem serão aquelas que terão de ir à procura de mais e de dar a cara pelo que correr mal.

Mas, hoje mesmo é notícia que o Governo vai apresentar uma proposta que cria incentivos à mobilidade dos desempregados, com opção de deslocação temporária para longe da área de residência.

Como é possível um Governo que se dispõe a criar estes incentivos à mobilidade de desempregados mostrar tamanha “sanha” contra os trabalhadores da Administração Pública?

-não aposta na sua gestão, colocando-os, através de incentivos noutros serviços onde serão necessários (ou nem se deu ao trabalho de verificar?), recolocando-os noutras funções para as quais até terão as habilitações adequadas ou facilmente poderão vir a adquiri-las;

-reduz a alguns, administrativamente, a remuneração e promove o despedimento de outros, ao fim de um ano.

Tudo isto numa sociedade que olha espantada para a persistente redução da população do País, para o aumento da emigração dos que estão na força da vida e, consequentemente, para a hecatombe que quem assim desgoverna está a criar.

Não será possível acender uma luz?

Lisboa,14-01-2015

Bettencourt Picanço

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One comment

  1. L. Bettencourt Picanço · Janeiro 17, 2015

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