O DESCALABRO GESTIONÁRIO!

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A Administração Pública tem um sistema remuneratório criado em 1989 e que devia ter sido revisto para todas as carreiras em 2008.

Só que há diversas carreiras, mesmo no Ministério das Finanças, que ainda o não foram.

Não é o caso das carreiras dos técnicos superiores da Direção Geral do Orçamento, da Direção Geral do Tesouro e Finanças e do Gabinete de Planeamento.

Estes tiveram as carreiras revistas como todos os outros técnicos superiores dos outros Ministérios.

É justo que as carreiras destes trabalhadores, atentas as suas funções particularmente exigentes, sejam de novo revistas e melhoradas, com a criação de uma nova.

Mas só as destes?

E o Governo nem se dá ao trabalho de uma análise sumária de todas as outras carreiras, de outros Ministérios, que ainda não viram aplicada a reestruturação de 2008?

A Senhora Ministra da Justiça não teve ainda tempo, no meio das tempestades que têm assolado o seu Ministério, de rever a situação dos Adjuntos de Conservador que permanecem no limbo?

Como é que é possível termos um Governo cujo paradigma de gestão é este olhar solitário para um canto do tabuleiro quando todo ele devia merecer a sua atenção?

Mas, se nos dermos ao trabalho de anotar algumas das notícias mais recentes, não podemos deixar de levar as mãos à cabeça.

O Governo, que cortou salários e pensões e ainda não procedeu à respectiva reposição, vai atribuir um subsídio de exclusividade aos juízes.

E é o mesmo Governo que tem na calha uma revisão dos suplementos remuneratórios, com a faca apontada a alguns.

Não é que os juízes não mereçam. Até porque não podem acumular com outras funções.

Mas não existem outros trabalhadores que também não podem acumular? E para esses haverá subsídio de exclusividade?

Temos também diversos Institutos Especiais transformados agora em Entidades Reguladoras ou Supervisoras como, por exemplo:

. a  Comissão de Mercado de Valores Mobiliários

. a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões

. a Autoridade Nacional de Comunicações

. a Autoridade Nacional da Aviação Civil

. a Entidade Reguladora para a Comunicação Social

. a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes,

Que, ao que parece, vão ter remunerações idênticas às do Banco de Portugal, cujo Governador auferiu mensalmente, em 2014, 15.234,14 euros.

E esta, hem?! Quem é que na Administração Pública não deseja a remuneração a que teria direito no Banco de Portugal?

E a Autoridade Tributária e Aduaneira?

Às anomalias que em algumas alturas se disse que era preciso corrigir, este Governo vai agora juntar um bom punhado de novas anomalias.

Isto é, a nossa Administração Pública está cada vez mais transformada numa selva, ecoando o grito do salve-se quem puder.

Será que alguém pensa que assim vamos a algum lado, para além das inúmeras prateleiras douradas que vão sendo criadas para espanto daqueles a quem roubaram parte da remuneração e parte da pensão?

Assim, nem Função Pública motivada e eficiente, nem País com orgulho nos seus Serviços Públicos e no Futuro a construir.

Lisboa,16-01-2015

Bettencourt Picanço

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One comment

  1. L. Bettencourt Picanço · Janeiro 17, 2015

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