“ JÁ SE PODE FALAR SOBRE OS SINDICATOS?”

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Desde o 25 de abril de 74 que há sindicatos livres.

Como há partidos políticos ou confederações patronais livres.

Isso implica a participação e o empenhamento dos portugueses.

E o resultado foi o percurso que fizemos e é o que temos hoje: o défice de participação é enorme.

A partir daí, o atirar de pedras pode ser um bom entretenimento, mas não é, seguramente, o caminho a percorrer para quem critica o percurso ou o resultado e quer promover mudanças.

Cada um tem direito ao seu diagnóstico. Mas também o dever conexo de algo fazer para corrigir os vieses que encontrou.

O Estado Social Europeu que foi construído depois da segunda guerra mundial deve muito ao empenhamento dos partidos políticos mas, também, à participação dos trabalhadores organizados nos seus sindicatos.

E a União Europeia reconhece-o ainda hoje na relevância que atribui a estes e na participação institucionalizada que mantém, tal como a OIT.

Em Portugal, hoje, quem defende os trabalhadores dos cortes nas remunerações e dos despedimentos mais ou menos selvagens?

Quem aconselha os trabalhadores e os apoia judicialmente?

Quem contrapõe à debacle financista o interesse social dos desempregados e da pobreza crescente?

Quem dá a cara em apoio aos aposentados e pensionistas aos quais reduzem persistentemente as pensões?

Quem alerta para a necessidade de políticas que visem o futuro com desenvolvimento e não um futuro de anunciado empobrecimento?

Alguns sindicatos não funcionam bem? Mas onde estão os destinatários da sua acção a quem caberia a participação para os mudar ou, até, a criação de outros?

E os partidos políticos funcionam todos bem e sem críticas? Ou também aqui emerge a questão da participação pobre que deixa que alguns sejam pouco mais que a sua superestrutura deixando aos militantes a possibilidade de baterem palmas ou desistirem?

Caminhamos para onde se, no limite, nos pronunciamos pela destruição das estruturas democráticas que poderiam e deviam dar vida à DEMOCRACIA, acabando certamente por apelar à não participação nas eleições, institucionalizadas para assumirmos o mínimo de governação?

Eu participo, dei e dou a cara e convido todos os portugueses a não se demitirem de o fazer, não se transformando nos novos escravos da dívida junto dos nossos parceiros europeus que “fazem o favor” de nos ajudar.

Porque, caros amigos, com as propostas com que recentemente fomos brindados, quer por parte do governo, quer do maior partido da oposição, o que nos propõem hoje, descaradamente, é um horizonte sem desenvolvimento económico, sustentado segundo o primeiro pela redução de 4% nos descontos dos empregadores para a Segurança Social e, de acordo com o segundo, pela redução de 4% nos descontos dos empregadores mais 4% nos descontos dos trabalhadores.

O que significa que cada um de nós que não contratou com a sua entidade patronal a constituição de uma pensão milionária num fundo privado, terá uma velhice afundada na miséria, estendendo a mão à caridade.

É por isso que eu digo que cabe a cada um, hoje, pôr-se de pé e dizer que futuro quer.

Porque ainda estamos a tempo, não me parecendo que queixarmo-nos dos partidos políticos ou dos sindicatos que temos sem metermos as mãos na massa … no mínimo votando … então só nos poderemos queixar de nós próprios.

Lisboa,4 de maio de 2015

Bettencourt Picanço

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