A DEMOCRACIA

votação

Tenho andado afastado deste blogue e da “ conversa” que o mesmo me permite.

Mas é mesmo para isso que ele me serve: para uma “conversa” de “pé de orelha” quando há vontade disso!

Este é um tempo de grande vozearia ou, mesmo, de gritaria.

Grassa por aí um grande espanto: a coligação que constitui o actual governo vai à frente do maior partido da oposição, nas sondagens.

Isto é, poucos esperariam que um governo que cortou salários e pensões subindo, ainda por cima, os impostos, ao arrepio das promessas eleitorais que fez, merecesse de novo o apoio da maioria dos portugueses.

Poucos esperariam que um governo que apostou na redução do nível de vida dos portugueses, prometendo um caminho de austeridade por mais vinte anos, merecesse o aplauso dos portugueses.

Poucos esperariam que um governo que aconselhou os jovens desempregados a partirem à procura de melhor vida noutros países, saindo da sua zona de conforto (!), merecesse a concordância dos portugueses.

Todavia, são os portugueses que votam.

E, ao fazê-lo, votando na maioria que nos tem governado, fazem-no sem qualquer esperança galvanizadora num futuro melhor.

É verdade que não surgiram lideranças polarizadoras dessa esperança tão necessária.

É verdade que, mau grado as vozes de alguns especialistas que desmontaram os viezes da nossa adesão à EU e à integração na UEM, ainda não surgiu qualquer proposta política com alternativas e calendários possíveis.

O que temos é, por isso, bem pior do que a navegação portuguesa no período das descobertas: hoje nem temos tentativa e erro porque nem aquela existe.

É assim que, segundo parece, temos uma democracia institucionalizada em busca de caminhos.

Uma democracia que utiliza todos os meios de comunicação modernos.

É toda uma informação em catadupa que cai e escorre sobre as pessoas.

Quanta dessa informação penetra e promove adesão?

É isso que iremos ver.

Seria bom que se percebesse que a democracia – com a consequente informação e decisão – não pode ser reduzida a 30 dias de quatro em quatro anos.

Sob pena de não se transformar no fenómeno dinamizador e vivificante que muitos esperariam.

E é disso que precisamos rumo às mudanças necessárias para criação de uma sociedade melhor.

Estamos sempre a tempo de enveredar por esse caminho, como os heróis do dia a dia, sempre trabalhoso e difícil.

O primeiro passo é votar!

Lisboa, 30 de Setembro de 2015

Bettencourt Picanço

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