A EUROPA DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

Nos últimos dias tem-se acentuado o desnorte da UE, rumo a não se sabe bem o quê.

À situação difícil da Grécia juntam-se as pressões sobre Portugal e a Espanha.

Surge também o Reino Unido cavalgando derrogações à livre circulação e limitações à atribuição de benefícios sociais aos migrantes.

Se é verdade que em termos globais a zona euro cresce menos, com baixa inflação e desemprego elevado, internamente, nos diversos países, isso acontece com superavits nos países do norte, com destaque para a Alemanha, e défices nos países do sul.

Isto é, o “Norte exporta e fatura nos mercados garantidos do Sul, sem risco cambial”.

E, depois, vai financiar as economias do Sul, “atoladas em dívida”:

-Portugal : 4,5% do PIB

-Itália : 4,2% do PIB

-Espanha : 2,8% do PIB

-Grécia : 1,9% do PIB

E de onde vem a dívida? Essencialmente dos défices ocultos do sector financeiro. Em Portugal, entre 1990 e 2014, a banca custou 12,1% do PIB. Na Grécia 23,1% do PIB!

Mas, apesar de tudo isto, a receita da UE continua a ser as reformas estruturais e a consequente austeridade que garantem empobrecimento e esquecem o crescimento económico.

Isto porque, como é óbvio, o directório da UE está satisfeito com os mercados garantidos do Sul e com os juros da dívida.

Todavia, este é um caminho que não vai longe.

Há que ter em conta que há outras variáveis no horizonte da UE que condicionarão o futuro dos seus cidadãos.

O primeiro tem a ver com o envelhecimento da população e, consequentemente, com a sua diminuição.

Sendo certo também que o desemprego levará ao surgimento de milhões de excluídos para os quais as sociedades terão de encontrar suporte.

E isto de par com o empobrecimento dos países sujeitos a sucessíveis reformas estruturais e às respostas políticas que isso pode desencadear.

O segundo emerge do cerco a que a UE está já sujeita por parte dos refugiados, sejam eles empurrados por guerras civis ou pobreza.

A UE não se entende sobre quantos e como integrá-los, bem como sobre os apoios a dar às portas de entrada na Europa.

E prepara-se para pagar a quem os controle fora da Europa.

Tenho a impressão de que já vimos isto na história da Europa, ou algo parecido, com consequências devastadoras.

É interessante constatar que a febre da construção de muralhas, que também surgiu recentemente nos EUA, está agora a emergir na Europa como resposta imediata de defesa, sem que um pensamento maior de integração dos que dentro da UE são já remetidos para o empobrecimento, e dos que, vindos de fora, podiam e deviam ser garantia de desenvolvimento e construção de um futuro melhor para todos.

Cabe por isso a cada um de nós, como cidadãos europeus, levantar a voz para os que nos representam.

Enquanto é tempo!

Lisboa, 8 de março de 2016

Bettencourt Picanço

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