OS SINDICATOS DESISTIRAM?

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Não. Não me parece que os sindicatos tenham desistido.
Os sindicatos foram fundamentais para a construção do Estado Social por toda a Europa e, consequentemente, foram a pedra angular das democracias.
Muito em especial das democracias que mostram hoje mais vitalidade. Aquelas em que os governos não desprezam os sindicatos ou não governam permanentemente contra os sindicatos.
Chegando a dizer que um dos seus objectivos é a destruição dos sindicatos.
É verdade que as condições económicas e sociais que o neoliberalismo, ainda impante, tem construído tornam a vida difícil aos sindicatos.
É verdade que o desemprego, a precarização e o empobrecimento têm sido uma tragédia que, abatendo-se sobre as pessoas, atinge também os sindicatos.
Mas não podemos ignorar uma lassidão que tem vindo a atravessar a sociedade ocidental.
Uma lassidão que, parece, tem levado muitos a desistir da democracia.
E, quem desiste da democracia, desiste também dos sindicatos.
Os sindicatos têm sido o baluarte de uma visão crítica do actual sistema económico que promove desemprego e empobrecimento.
Lembro:
– o despedir para contratar com remuneração inferior ou, até, com apoios do Estado!
– o empurrar para a aposentação/reforma, com baixas pensões, para contratar em termos precários: é toda a sociedade que, depois, acaba a pagar os sobrelucros de uns tantos … que ainda são capazes de ir receber umas condecorações como empresários de sucesso.
É a desvergonha instalada … se todos nós deixarmos.
Gostei de ouvir há dias, por ocasião do Congresso da CGTP, que esta tinha uns largos milhares de novos associados.
Espero bem que o mesmo aconteça com todas as outras organizações sindicais, rumo a um sindicalismo combativo … mas com os pés assentes na terra e a coberto de uma ideia.
Não um sindicalismo reivindicativo só … porque sim!
Os sindicatos devem estar abertos a investir na informação devidamente fundamentada, para que não se diga que os seus dirigentes estão ainda a viver no século passado.
Não podem deixar-se ultrapassar pelos movimentos sociais inorgânicos mas devem antes dar-lhes a estruturação de que carecem, ganhando com eles a vida que por vezes parece adormecida.
Duas linhas de acção fundamentais HOJE têm a ver com:
– uma informação permanente assente em todos os meios que a internet disponibiliza: esta é, aliás, uma característica de todos os movimentos sociais que têm surgido por todo o mundo:
– uma major ligação com as organizações internacionais congéneres, nomeadamente europeias.
Não podemos esquecer que o que está a acontecer em Portugal está interligado com a evolução social e económica em todos os outros países e que a mundialização que os Portugueses iniciaram está em marcha há já muito tempo.
Concertar posições, perceber melhor as estratégias sindicais em movimento noutros países, é importante.
Porque podemos compreender bem o inverno que temos mas não podemos descurar os tsunamis que nos podem atingir amanhã.
Lisboa, 17 de março de 2016
L. Bettencourt Picanço

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