A DEMOCRACIA E OS SEUS VIESES

Todos sabemos que a nossa democracia assenta nos partidos políticos.

Partidos de inscrição livre, cujos associados pagam uma pequena quota mensal, e que vivem, essencialmente, dos apoios recebidos do Estado em função do número de deputados eleitos e das actividades que desenvolvem.

Isto é, a vida política é decidida pelos partidos políticos, cujos militantes vão de poucos milhares a algumas dezenas de milhar.

E isto, obviamente, em função das votações obtidas para a Assembleia da República.

Em resumo: o primeiro e principal pilar para o funcionamento da nossa democracia são os partidos políticos subvencionados pelo Estado.

Mas é também comummente aceite que a democracia não se esgota nos partidos políticos e no poder político assente no Governo e no Parlamento.

A democracia só o é se assentar também na participação da sociedade civil, devidamente organizada.

As sociedades não se resignam a um governo despótico, ainda que esclarecido, que se apresenta aos cidadãos eleitores de quatro em quatro anos.

E constituindo os trabalhadores o conjunto dos cidadãos mais activos na procura das medidas mais eficazes, rumo a uma sociedade mais justa e equitativa, agruparam-se em sindicatos de modo a poderem dialogar quer com as entidades empregadoras, quer com o poder político.

Os sindicatos são por isso organizações essenciais numa democracia:

-São constituídos por trabalhadores que livremente se associam tendo em vista objectivos comuns e que vão dessa forma ajudar à construção da democracia;

-Assentam a sua actividade nas quotas dos associados, sem subvenções do Estado.

Não existem por isso razões para o poder político, ou opinion makers de bolso, questionarem de vez em quando a actividade deste ou daquele sindicato, ou deste ou daquele dirigente sindical, querendo significar que não deveriam existir.

Que se discorde das suas posições ou afirmações, compreende-se e aceita-se.

Que se parta daí para uma contestação sistemática das opções ignorando que elas representam uma parte da sociedade, que até paga para as sustentar e ratifica-as periodicamente com o seu voto, é inaceitável.

É interessante assinalar que tais ataques a algumas organizações sindicais e aos seus dirigentes só surgem em alguns orgãos de comunicação social por colaboradores habituais quando aquelas e aqueles se destacam no combate pelas suas reivindicações, dando voz aos trabalhadores que representam ou, então, quando essas posições, que até dariam jeito no combate político, estão em falta.

Isto é, os ataques só surgem quando as organizações sindicais assumem, nos média, protagonismo que incomoda quem está sentado, ou quando não aparecem e daria jeito que aparecessem.

Mas…é assim a democracia!

Lisboa,21 de outubro de 2016

L. Bettencourt Picanço

 

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